segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O 3º eixo da Linguística: Os sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização.



         A Língua precisa ser pesquisada, finalmente, a partir do ponto de vista dos Sistemas Coletivos Transverbais da Cultura, da Nação e da Civilização, como se representa no Gráfico 16, porque está integrada também por esse conjunto dos Sistemas do Plano Transverbal.   

         Como observou e destacou Humboldt, por meio da pesquisa sobre numerosas línguas de todos os continentes, toda língua situa-se no contexto de uma cultura, de uma nação e de uma civilização, e delas assimila parte dos seus sistemas. De tal maneira que não existe língua sem essa conexão. Deste modo, uma noção de língua que omite, desconsidera ou nega os Sistemas Coletivos Transverbais da Cultura, da Nação e da Civilização é uma ficção teórica, um falso princípio científico das escolas unívocas e dicotômicas radicais da Corrente do «Ergon», uma meia verdade no plano das Especialidades que funciona como um sofisma no plano da suposta “Linguística Geral”, uma retórica meronímica que toma  «uma parte» da Língua pela «Língua inteira», que reduz «a Língua» a «uma parte da mesma» e que denomina «o todo» com o nome da «parte», um equívoco científico imposto pelas escolas como se fosse um princípio absoluto e universal da ciência.


Gráfico 16


        O Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização está constituída e integrada pelos seguintes elementos:

a)   Pelos sistemas linguísticos transverbais da Psicologia Coletiva dos Povos, Nações e Civilizações;
b)   Pelos sistemas linguísticos transverbais da Psicologia Coletiva da Cultura e da Sociedade;
c)   Pelos sistemas linguísticos transverbais das Leis Sociológicas;
d)   Pelos sistemas linguísticos transverbais da Forma Interna, conforme o conceito de Humboldt;
e)   Pelos sistemas linguísticos transverbais do Vínculo do Código Ideológico, conforme o conceito de Backtin.


Equivocaram-se os estruturalistas, os pragmáticos dicotômicos, os analistas do discurso e os gramáticos quando negaram nas suas teorias sobre a noção da língua, como se não existissem, os sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização, apontados por Humboldt e reforçados por Backtin.  
A posição teórica que negava na Língua a existência dos sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização, é atualmente insustentável pela aplicação dos princípios e paradigmas da Nova Filosofia da Ciência.
Isso significa que os sistemas do referido Plano Coletivo Transverbal são sistemas linguísticos no pleno sentido do termo, sistemas constitutivos e operativos da Língua, sem os quais a Língua seria impossível e não funcionaria de forma adequada e completa.  

     CONCLUSÃO: Não existe nenhuma língua nos moldes do Objetivismo Abstrato Absoluto de Ferdinand de Saussure e do Estruturalismo Formalista, nem nos moldes do Subjetivismo Idealista da Pragmática Dicotômica e da Análise do Discurso, da Conversação e do Texto.
     A língua está sempre implicada pelos três lados ou eixos: Pelo lado dos Sistemas do Plano de Superfície do «Ergon», pelo lado do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique linguística, e pelo lado do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização.
     São três dimensões que operam juntas e integradas, dialeticamente implicadas no fenômeno linguístico.   
    
     A observação do processo de aquisição e desenvolvimento da língua por parte do bebê, do infante, do menino e do adolescente, mostra evidências de que há uma reversibilidade ou relação dialética entre o Plano de Superfície do «Ergon», o Plano Profundo da «Enérgeia», da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, e o Plano Transverbal da Coletividade, da Nação e da Civilização. Sem essa reversibilidade não existiria a aquisição da língua materna, nem o seu uso eficaz e dinâmico.

Os novos dados da pesquisa mostram que a negação radical da vinculação estrutural e operativa dos sistemas do Plano de Superfície do «Ergon» com os sistemas do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, por parte das teorias linguísticas do século XX, é um equívoco teórico como consequência de um raciocínio lógico deturpado dos sofismas dos pressupostos das escolas.         

Estas são algumas razões que justificam e contribuem, entre outras, para a formulação e verificação da hipótese de que a Língua é um Sistema Energético, o sistema de força maior do ser humano em todos os países e continentes do planeta terra, no passado, presente e futuro. Estas razões justificam também a hipótese de que a língua portuguesa é a força maior do brasileiro, o instrumento principal da produtividade profissional e empresarial no Brasil, o instrumento maior da ação judicante e administrativa no país. Assim como o espanhol é na Espanha e países hispanofalantes; o inglês, na Inglaterra e Estados Unidos da América do Norte; o francês, na França; o japonês, no Japão e o mandarim, na China.


Questões em debate. Por causa dos pressupostos reducionistas de Saussure, as teorias dicotômicas radicais do século XX reduziram a língua ao conjunto dos sistemas do Plano de Superfície do «Ergon», ou seja, às formas, as estruturas, aos atos de fala, às conversações, aos discursos, aos textos e às obras, negando por meio de equívocos teóricos e sofismas os sistemas do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, bem como os Sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização. Porém, essa negação é um reducionismo teórico, uma retórica meronímica, um sofisma, que fere a segunda e a quarta Regras do Discurso do Método de René Descartes.
Como se representa no Gráfico 4.1, a ciência linguística precisa pesquisar em uma primeira etapa os Sistemas do Plano de Superfície do «Ergon»; em uma segunda etapa, os Sistemas Profundos da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística; e em uma terceira etapa, a integração dos sistemas do Plano de Superfície e do Plano Profundo com os Sistemas Coletivos Transverbais da Cultura, da Nação e da Civilização.
Seria impossível a existência de uma língua sem a conexão dos Sistemas do Plano de Superfície com os sistemas do Plano Profundo e os Sistemas Coletivos Transverbais da Cultura, da Nação e da Civilização.
    
Deste modo, conforme a concepção da Linguística Dinâmica e Integrativa, podemos concluir que a língua possui e manifesta vários conjuntos de sistemas constitutivos e operativos, entre os quais precisamos distinguir:
a) O conjunto dos Sistemas do Plano de Superfície do «Ergon»; 
b) O conjunto dos Sistemas do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística.
c) O conjunto dos Sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização. 

Como analisaremos mais profundamente em outros momentos, a maneira como as teorias linguísticas dicotômicas do século XX entenderam e ensinaram a língua, como um conjunto de formas, estruturas e atos de fala, sem nenhuma vinculação com o Plano Profundo da «Enérgeia», do Pensamento e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, e sem nenhuma capacidade produtora de energias, forças, efeitos, eficácia, competência, vitalidade, competitividade, produtividade e poder, é um equívoco teórico que foi um fator de atraso para a cultura e a civilização ao longo de muitos séculos: Um fator de atraso para as comunidades de Pernambuco, do Nordeste, do Brasil e do Terceiro Mundo, porque prejudica a capacitação profissional e empresarial de todas as categorias, e diminui a capacidade produtiva e econômica das comunidades.

         Não existiria língua em uso, nem discurso eficaz e dinâmico na existência humana, na cidadania, na profissão, na empresa, na  política, na economia, na religião, nas relações humanas, relações públicas e relações internacionais,  sem o normal funcionamento dos Sistemas do Pla\no Profundo do Pensamento, da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, sem os Sistemas Linguísticos produtores de energias, forças, efeitos, eficácia, competência, vitalidade, competitividade, produtividade e poder.
         Cada Especialidade no seu campo, a Linguística Dinâmica, a Linguística Jurídica, a Linguística Empresarial, a Linguística Nuclear e a Linguística Quântica estão chamadas a pesquisar e descrever vários conjuntos de Sistemas Dinâmicos e energéticos da Língua nos campos das suas Especialidades. A língua possui um conjunto potencialmente infinito de Sistemas Energéticos.

         A maior parte das teorias linguísticas da tradição e do século XX da Corrente do «Ergon», quando falam da língua, somente referem-se aos sistemas operativos do Plano de Superfície do «Ergon», ou seja, ao conjunto das palavras, orações, formas, estruturas, atos de fala, conversações, discursos, textos e obras como produtoras de sentidos e significados, desconsiderando totalmente os sistemas energéticos, bem como os sistemas neurológicos, os psíquicos e os mentais, e os sistemas coletivos transverbais da cultura, da nação e da civilização. Porém essas posições teóricas são equívocos teóricos, fruto de um sofisma ou falso princípio científico herdado da Velha Filosofia da Ciência. 
         As referidas teorias são reducionistas, pois somente consideram uma parte dos sistemas da língua, e não o seu conjunto integral. São equívocos teóricos, porque criam Retóricas Meronímicas que tomam «uma parte da língua» pela «língua inteira», reduzem «o todo» a «uma parte», equiparam «a parte» com «o todo», e denominam «o sistema inteiro» com «o nome de uma parte».
         Assim, por exemplo, as teorias que denominam a Língua de signo ou de sistema de signos, e consideram que é somente um conjunto de signos pelo princípio da não contradição, são concepções que representam um sofisma, ou falso princípio científico, uma retórica meronímica que toma a parte pelo todo.   
         Fazendo uma comparação no campo biológico, para mostrar por contraste o absurdo dessas concepções linguísticas que reduzem a língua ao plano de Superfície do «Ergon», diríamos que é como se uma suposta biologia somente considerasse no organismo humano os sistemas fisiológicos e anatômicos, e desconsiderasse totalmente os sistemas cardiológicos, pneumológicos, neurológicos, mentais, psíquicos, sensoriais, genéticos, linfáticos, endócrinos e digestivos como inexistentes, com se não fossem partes dos ser humano. Esse é o tipo de absurdo científico que cometeram Ferdinand de Saussure e o Estruturalismo Formalista quando afirmaram que a língua era estática, ou que era somente um sistema de signos, ou que era uma forma, não uma substância, ou que era somente o conjunto dos sistemas verbais e sígnicos estáticos das formas e das estruturas a partir do ponto de vista do ouvinte.
         Podemos fazer ainda outra comparação no campo da Física, para entendermos melhor o absurdo científico que se cometeu durante o século XX no campo linguístico: É como se um grupo de físicos fundamentados nos paradigmas da Velha Filosofia da Ciência, considerassem que a Física Atômica e Nuclear e a Física Quântica não têm nenhum caráter científico, porque não estão fundamentadas nos paradigmas da Física Estática, conforme os paradigmas da Velha Filosofia da Ciência de Newton, de Hegel e da Axiomática Formalista. Seria uma posição teórica insustentável no século XXI.   
    
Assim, em um plano de maior complexidade, percebe-se a necessidade de que a teoria linguística relacione os sistemas dos três eixos, os sistemas do Plano de Superfície do «Ergon» com os sistemas do Plano Profundo da «Enérgeia», do Pensamento e da Central Cérebro-Mente-Psique linguística e com o Plano Coletivo Transverbal da Cultura da Nação e da Civilização, dos quais trata Humboldt com grande destaque.



Como observou Humboldt e se representa no Gráfico 5.2, a língua tem uma conexão necessária com o Plano Coletivo da Comunidade Linguística, da Cultura, da Nação e da Civilização, e ainda poderia se ampliar o estudo para o campo da Espécie, como postulou Herder na sua obra Sobre el Origen del Lenguaje. [1]   
A língua possui uma camada de sistemas constituidos pelo conjunto dos sistemas transverbais do Plano Coletivo da Comunidade Linguística, da Cultura, da Nação e da Civilização: São sistemas linguísticos no pleno sentido do termo, sem os quais seria impossível compreender realmente a língua, a sua composição e o seu sistema de funcionamento.   





CONCLUSÕES:

         As teorias da Gramática tradicional unívoca, do Estruturalismo Formalista, da Pragmática Dicotômica e da Análise do Discurso da Conversação e do Texto, reduziram a linguística à pesquisa dos sistemas do Plano de Superfície do «Ergon», desconsiderando, omitindo e esquecendo totalmente, como se não existissem, os sistemas linguísticos do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique Linguística, bem como os sistemas Transverbais da Coletividade, da Cultura, da Nação e da Civilização. Mas, isso foi um equívoco teórico fruto de uma lógica formal deturpada.      


Gráfico   2


         Representamos o conjunto integral dos sistemas constitutivos e operativos da Língua, por meio do Gráfico 2, incluindo os Sistemas do Plano de Superfície do «Ergon», os Sistemas do Plano Profundo da «Enérgeia» e da Central Cérebro-Mente-Psique linguística, e os Sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização.


         Conforme as concepções linguísticas de Humboldt e Backtin, não existiria Língua sem a Central Cérebro-Mente-Psique linguística, e sem o Plano Coletivo Transverbal da Cultura, da Nação e da Civilização.           

Pelos caminhos de várias ciências e especialidades, hoje temos consciência de que não existiria a língua, no estrito sentido do termo, e não poderia funcionar com eficácia, sem os sistemas do Plano Profundo do Pensamento, da «Enérgeia», e sem os sistemas do Plano Coletivo Transverbal da Comunidade, da Cultura, da Nação e da Civilização. Estas dimensões são fundamentais e indispensáveis para a completa compreensão da Língua
Se por uma contingência especial da existência, um menino, “A”, nascesse na selva no uso normal das suas faculdades humanas; e se, por qualquer casualidade da natureza, sobrevivesse e crescesse até a sua vida adulta (de 30 ou 40 anos de idade) isolado de qualquer conexão com a coletividade da cultura, da nação e da civilização, nessas condições específicas (isolado da convivência humana e social), postula-se que desenvolveria normalmente uma linguagem com vários sistemas de comunicação e ação para o meio; porém, não desenvolveria uma língua, no sentido específico do termo, identificável entre as línguas das comunidades linguísticas existentes.
Deste modo, a integração do bebê no meio coletivo de uma cultura e de uma nação é condição indispensável para o seu desenvolvimento linguístico. De tal maneira que, sem essa conexão, na qualidade de ser humano, teria uma capacidade linguística potencial; porém, enquanto isolado de toda convivência com a coletividade de uma cultura e de uma nação, não realizaria alcançaria a atualização dessa potência linguística, não tornaria real e efetiva essa potencialidade. Isso significa que os sistemas transverbais da coletividade da cultura, da nação e da civilização, conforme o sentido dos termos em Humboldt, são elementos constitutivos e operativos da Língua, da sua natureza, da sua forma de composição e do seu sistema de funcionamento.     



        A partir dos dados e análises acima podemos continuar o debate sobre a questão linguística herdada da tradição e do século XX, acrescentando novos elementos e dados.
        Existem indícios e evidências de que, consciente ou inconscientemente, os setores unívocos e dicotômicos radicais das escolas da Corrente do «Ergon» estão enganando com meias verdades, sofismas, falácias, retóricas meronímicas e falsos princípios científicos a cultura e a civilização, possivelmente, em função da política linguística elitista de Maquiavel, naquilo que se refere à noção de Língua e ao objeto da Linguística.                 
        Por meio da comparação dos gráficos, podemos introduzir algumas análises e dados relevantes da questão linguística.


[1]  HERDER, Johann Gottfried (1744-1803). Sobre el Origen del Lenguaje (1760, 1768, 1772).

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